Investigação

Terapias celulares: o que são as CAR-T, os TIL e os anticorpos biespecíficos

Três formas diferentes de usar o sistema imunitário contra o cancro, com indicações, limites e problemas distintos

6 de Abril, 2026 3 min de leitura
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A imunoterapia com inibidores de checkpoint funciona levantando travões ao sistema imunitário. As terapias celulares seguem outro caminho: em vez de libertarem as defesas existentes, modificam-nas ou fornecem-nas.

As três abordagens descritas a seguir são usadas, na quase totalidade das indicações aprovadas, depois de outros tratamentos terem falhado, e não como primeira opção.

CAR-T, células reprogramadas em laboratório

Recolhem-se linfócitos T da própria pessoa, modificam-se geneticamente para produzirem um receptor que reconhece uma proteína presente nas células tumorais, multiplicam-se em laboratório e devolvem-se por infusão.

Os resultados em leucemias e linfomas de células B foram substanciais, incluindo em pessoas sem opções depois de várias linhas de tratamento. Nos tumores sólidos os resultados têm sido muito mais limitados, porque o alvo raramente é exclusivo do tumor e o microambiente tumoral parece dificultar a acção das células. A toxicidade é real e pode ser grave, com síndrome de libertação de citocinas e efeitos neurológicos que exigem centros preparados para os tratar.

TIL, células que já estavam dentro do tumor

Aqui não há modificação genética. Retiram-se linfócitos que já tinham infiltrado o tumor, seleccionam-se os que o reconhecem, multiplicam-se em grande número e devolvem-se à pessoa.

A aplicação mais estudada é o melanoma avançado. O processo depende de cirurgia para obter o tecido e de semanas de produção, e envolve um condicionamento prévio exigente.

Anticorpos biespecíficos, sem passar pelo laboratório

São moléculas com duas extremidades, uma que se liga a uma proteína do tumor e outra que se liga aos linfócitos T, aproximando fisicamente as duas células. Não exigem recolher, modificar e devolver células, o que resolve o problema logístico e reduz o prazo entre a decisão e o tratamento.

Em contrapartida, exigem administração repetida e têm o seu próprio perfil de toxicidade. A comparação directa entre as três abordagens ainda não está feita na maioria das indicações, e a escolha depende do tumor, da linha de tratamento e da capacidade do centro.

Em Portugal, o tratamento com CAR-T está concentrado num número reduzido de centros com acreditação para o efeito, o que significa que o acesso depende de referenciação e que a distância geográfica é um factor real para muitas pessoas.

O QUE FICA

  • As CAR-T são linfócitos da própria pessoa modificados geneticamente para reconhecer o tumor.
  • Funcionam sobretudo em leucemias e linfomas de células B, com resultados limitados em tumores sólidos.
  • Os TIL usam linfócitos que já tinham infiltrado o tumor, sem modificação genética, sobretudo no melanoma.
  • Os anticorpos biespecíficos aproximam linfócitos e células tumorais sem produção celular individualizada.
  • Todas têm toxicidades próprias e exigem centros com experiência para as tratar.

Fontes

  • Revisões e ensaios de referência em terapias celulares em oncologia, 2024 a 2026
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