have to offer
A tecnologia da vacina COVID está a dar frutos no cancro
As vacinas de mRNA ficaram conhecidas na pandemia. Na oncologia, os dados apresentados na ASCO 2026 ajudam a explicar o entusiasmo crescente.

As vacinas de mRNA ficaram conhecidas durante a pandemia, mas uma das suas aplicações mais promissoras pode estar a surgir na oncologia. A ideia é simples de enunciar e difícil de concretizar: ajudar o sistema imunitário a reconhecer aquilo que torna cada tumor único.
Nos últimos anos, a investigação tem desenvolvido vacinas personalizadas a partir do perfil molecular de cada pessoa. Os dados apresentados na ASCO 2026 ajudam a perceber o entusiasmo em torno desta abordagem.
No melanoma, a combinação de uma vacina personalizada de mRNA com imunoterapia manteve benefícios clinicamente relevantes aos 5 anos, com reduções importantes do risco de recorrência e de metastização. O programa já avançou para estudos de fase III, com mais de mil participantes em vários países.
Há sinais de que esta tecnologia possa vir a ter aplicação em cancros que hoje respondem menos à imunoterapia.
Ainda não é uma realidade clínica amplamente disponível. Há desafios reais de custo, de produção e de implementação. Mas os resultados começam a surgir, e não são poucos.
Pontos-chave
- As vacinas de mRNA em oncologia são personalizadas ao perfil molecular de cada tumor.
- No melanoma, o benefício com imunoterapia manteve-se aos 5 anos.
- O programa avançou para fase III com mais de mil participantes.
- O custo e a produção continuam a ser obstáculos à disponibilização em larga escala.
A história das vacinas de mRNA em oncologia está apenas a começar. Pode vir a representar um dos avanços mais relevantes da medicina personalizada na próxima década.