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O cancro mais letal teve o seu primeiro avanço real em 40 anos
Durante quatro décadas, o alvo do cancro do pâncreas era considerado inatacável. Em 2026, um fármaco oral mudou essa frase nos manuais.

Quarenta anos. Foi o tempo que esperámos por um avanço real no cancro do pâncreas. Durante quatro décadas conhecemos a causa de mais de 90% destes tumores, uma proteína chamada KRAS. E durante quatro décadas falhámos em conseguir atacá-la. Nos manuais, era descrita por uma palavra: inatacável.
Em abril de 2026 isso mudou. O daraxonrasib, um inibidor oral do RAS, mostrou no ensaio RASolute 302 uma redução de 60% no risco de morte em doentes com cancro do pâncreas metastático já tratados. A mediana de sobrevivência passou de 6,7 para 13,2 meses. É o primeiro fármaco-alvo a funcionar verdadeiramente nesta doença.

Pela primeira vez, o cancro do pâncreas entra na medicina de precisão.
É preciso dizer o que isto não é. Não é uma cura. Continua a ser doença metastática, em segunda linha, com toxicidade real em cerca de um terço dos doentes. Falamos de meses ganhos, não de anos. Mas mudou algo importante: durante 40 anos, a pergunta era se algum dia haveria avanço. Agora a pergunta é quem terá acesso, e quando.
Pontos-chave
- Mais de 90% dos cancros do pâncreas dependem da proteína KRAS, tida como inatacável.
- O daraxonrasib reduziu em 60% o risco de morte no ensaio RASolute 302.
- A mediana de sobrevivência subiu de 6,7 para 13,2 meses.
- Não é cura, e a toxicidade é real. Mas é o primeiro avanço-alvo na doença.
Em Portugal ainda não chegou. A submissão regulatória começa nos próximos meses nos Estados Unidos, e a aprovação europeia costuma vir 12 a 24 meses depois, seguida do acesso comparticipado. Para quem vive hoje com este diagnóstico, pode ser tempo a mais.