Estilo de Vida

A menopausa não impede o ganho de massa muscular

A ideia de que o treino deixa de funcionar depois da menopausa não resiste aos dados, e tem consequências em oncologia

5 de Agosto, 2026 3 min de leitura
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Circula com frequência a ideia de que, depois da menopausa, o corpo perde a capacidade de responder ao treino de força. É uma afirmação com consequências práticas, porque desencoraja precisamente quem mais beneficia de treinar.

A descida de estrogénios que acompanha a menopausa tem efeitos reais sobre o osso e sobre a composição corporal, e é daí que vem a confusão. Efeito sobre o tecido não é o mesmo que incapacidade de responder ao treino.

O que dizem os dados

Uma meta-análise publicada em 2026 reuniu 126 estudos com 4 019 mulheres e comparou a resposta ao treino de força antes e depois da menopausa (Isenmann E et al.). Os ganhos de força e de massa muscular são semelhantes nos dois grupos. Os dados disponíveis não sustentam a ideia de que a capacidade de adaptação se perca.

Uma meta-análise anterior, publicada na JAMA em 2019, tinha reunido 12 ensaios aleatorizados com 4 474 mulheres e chegado a conclusões alinhadas sobre o efeito do exercício em mulheres na pós-menopausa (Javed AA et al.).

O que muda mesmo com a menopausa

Há alterações reais na composição corporal, na distribuição de gordura, na densidade óssea e na recuperação entre sessões, mas nenhuma delas anula a resposta ao estímulo de treino. O que muda é o ponto de partida e a rapidez da recuperação, não a capacidade de adaptação.

Porque é que isto interessa em oncologia?

A massa muscular associa-se à tolerância ao tratamento oncológico. Menos músculo associa-se a mais toxicidade, mais interrupções de tratamento e pior recuperação funcional depois da cirurgia.

A maioria das mulheres com cancro da mama é diagnosticada depois dos 50 anos. Se a mensagem que recebem for que já não vale a pena treinar, perde-se uma das intervenções com melhor relação entre benefício e risco em oncologia de suporte. Agradecemos a Stuart Phillips, da McMaster University, por ter trazido esta discussão para o debate público.

Há ainda um ponto que liga directamente ao tratamento. Os inibidores da aromatase, usados durante anos no cancro da mama hormonodependente, reduzem a densidade mineral óssea. O treino de força é uma das poucas intervenções não farmacológicas com efeito documentado sobre o osso, o que reforça a sua utilidade nesta população.

O QUE FICA

  • Uma meta-análise de 126 estudos com 4 019 mulheres não encontrou perda de capacidade de ganho muscular após a menopausa.
  • Os ganhos de força e massa muscular são semelhantes antes e depois da menopausa.
  • Alteram-se a composição corporal, a densidade óssea e a recuperação, mas não a resposta ao treino.
  • Menos massa muscular associa-se a mais toxicidade e mais interrupções de tratamento oncológico.
  • A maioria dos diagnósticos de cancro da mama ocorre depois dos 50 anos.

Fontes

  • Isenmann E et al. · 2026 · Meta-análise de 126 estudos sobre treino de força e menopausa
  • Javed AA et al. · JAMA, 2019 · Meta-análise de 12 ensaios aleatorizados em mulheres na pós-menopausa
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